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O pior dos roubos - Por Olga Brandão de Almeida

Não furte nunca e muito menos a inocente alegria dos filhos

Foi essa manchete que me chamou atenção ao começar a ler uma das nossas folhas diárias.
O título sugestivo fez-me procurar o conteúdo. Tratava-se de liberdade provisória concedida a um ladrão primário que, desempregado, com mulher e filhos doentes, na noite de Natal, fora preso numa frustrada tentativa de delito.

Admirei a atitude digna do Juiz da 8ª. Vara Criminal que, ao conceder a liberdade condicional, num gesto de respeito à pessoa humana, exortava-a ao trabalho honesto e à maneira correta de conduzir-se. Analisei, com tristeza, o calvário que deve ser a vida de um homem que, acossado pelo sofrimento resultante naturalmente de erros cometidos e vícios, chega a tal ponto de penúria, que é impelido ao crime.

É evidente que a vida tem fases que se apresentam adversas, com sérios problemas, mas há, também, para resolvê-los o raciocínio a serviço da vontade.

Se esse homem se firmasse em pensamentos de valor e procurasse reagir contra seus próprios erros e falhas, nunca poderia deixar-se envolver pelas forças inferiores, de tal maneira que delas se transformasse num joguete, deixando-se arrastar para o crime.

Possui o homem uma poderosa arma que se chama livre arbítrio, para lutar contra seus próprios defeitos e impulsos. Se for capaz de vencê-los, a vitória lhe proporcionará o aprimoramento do caráter, mas, se fracassar na luta, terá como consequência o livre arbítrio transformado em mero temperamento. Será um temperamental e a vida se tornará difícil para si e para os que com ele convivem.

Durante o sono, o espírito se religa às forças superiores para refazer-se e tornar-se forte. É necessário, por isso, que as horas do sono sejam precedidas de pazes feitas no meio ambiente.

Refeito durante a noite, através de um sono tranquilo, despertará cheio de simpatia para com a vida.

Ao contrário, uma atmosfera carregada de silêncios e desavenças gera um ambiente de indiferença ou represália, o que constitui má contribuição para uma vida eficiente e salutar.

Nossas falhas não são irremovíveis como as das pedras preciosas, pois resultam da má adaptação ao meio e por isso, quando as coisas não correm bem, a melhor atitude, honesta e corajosa, é observar os próprios defeitos, procurar corrigi-los sem olhar os alheios.

A liberdade concedida a esse ladrão primário foi também uma advertência aos chefes de família que julgam que dão tudo quando apenas dão o alimento.

Existem duas coisas de inestimável valor que os pais devem oferecer aos filhos: a felicidade de um lar bem organizado com disciplina, respeito, amor e trabalho, e a alegria resultante dessa organização. Um direito, porém, não lhes assiste: o de envergonhar os filhos com uma vida irregular. Aos pais, compete-lhes a grande responsabilidade da manutenção econômica e moral do lar para preparar o futuro dos filhos, não um futuro remoto, mas o que se inicia no presente, porque hoje ainda é tempo de remediar o mal.

A sentença desse Juiz, além de uma bela lição a um pai criminoso, que acabava de ser punido, foi também uma advertência a muitos pais criminosos que vivem impunes. Desses, os piores são os que, ao abandonarem o lar, pretendem ludibriar os outros com falsas justificativas, que não conseguem inocentá-los do monstruoso crime — o de roubar a alegria dos filhos.

O pior dos roubos
Por Olga Brandão de Almeida

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