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A ciência materialista singrando mares nunca dantes navegados - Por Dra. Glaci Ribeiro da Silva

Os materialistas, negando a existência do espírito, não deviam falar em psicologia, ciência que se ocupa, não das funções cerebrais, mas das faculdades ou operações íntimas do espírito; entretanto, todos empregam esse termo, ainda mesmo quando tratam das faculdades atribuídas por eles às funções cerebrais, com o título de fenômenos psicológicos, dando à luz trabalhos que se referem à psicologia da atenção, da consciência, da memória, do caráter, do amor, etc. (Luiz de Mattos. Pela verdade: a ação do espírito sobre a matéria, 1983, p. 191.)
Apesar de todo o avanço  científico e tecnológico existente nos dias atuais, a maioria dos cientistas continua ainda errando de um modo primário ao tomar como base para interpretar fatos e criar teorias unicamente o corpo físico deixando de lado a mente – a parte mais importante do ser humano.

E esse modo de agir dos homens de ciência não é novo; ele vem de longa data poisquase um século, Luiz de Mattos, o grande Mestre espiritualista, em seu livro Pela verdade – a ação do espírito sobre a matéria   procurava alertar os médicos e cientistas da época por esse tipo errado de critério que vinham adotando.

Embora a maioria dos cientistas continue insistindo nesse erro crasso, o mais preocupante agora é a contaminação que várias áreas de ciências humanas que sempre se dedicaram ao estudo da mente, têm sofrido com as idéias materialistas dos pesquisadores da biomedicina.

A criação das ciências cognitivas – uma área interdisciplinar que reúne profissionais tanto de ciências humanas como de biomedicinaveio potencializar ainda mais essa contaminação, pois muitos psicólogos, por exemplo, têm-se envolvido cada vez mais com as pesquisas dos neurocientistas, cuja meta principal tem sido ultimamente visualizar as diferentes funções cerebrais através de técnicas de neuroimagem e usar esses conhecimentos na elaboração de um mapa cerebral.

O primeiro mapa cerebral de que se tem notícia encontra-se num papiro datado de 3000 a 2500 a.C. e foi provavelmente organizado como um guia para aqueles que praticavam a trepanação, uma prática comum entre os antigos egípcios.

No início do século 19, o físico vienense Franz-Joseph Gall (1758-1828) criou a frenologia (do grego phrenos, alma, mente, espírito + logia, estudo). Segundo ele, existem na superfície do cérebro 26 módulos (ou órgãos) funcionalmente distintos, incluindo um órgão da morte, que está presente nos indivíduos com tendências assassinas. De acordo com Gall, os órgãos do cérebro que eram usados tornavam-se maiores, abaulando o crânio e formando bossas que refletiam áreas específicas do cérebro relacionadas às funções emocionais e intelectuais de uma pessoa. A esse tipo de estudo Gall deu o nome de cranioscopia.

Suas idéias foram adotadas e difundidas por vários cientistas, inclusive pelo criminalista italiano Cesare Lombroso (1835-1909). Caíram, porém, em descrédito no fim do século 19, quando foi demonstrada a ausência de influência do tecido mole do cérebro sobre o formato do crânio.

No entanto, a idéia pioneira de Gall de um cérebro formado por módulos funcionalmente distintos mostrou-se posteriormente correta e foi o embrião do mapeamento cerebral – uma das metas que tem sido mais tenazmente perseguida pelos neurocientistas.

Durante o século 20 foram feitas várias tentativas de realizar esse mapeamento, usando-se técnicas variadas e aplicando-as tanto na espécie humana como em animais de laboratório.

No despertar do século 21, esse desafio de cartografar o cérebro continua mobilizando alguns dos melhores neurocientistas.

Porém, agora, isso está sendo feito através de técnicas sofisticadas de varredura funcional (tomografia por emissão de pósitrons e ressonância magnética funcional) que tornam visível, através de imagens, o interior do cérebro vivo e funcionante de uma forma muito parecida com a ação dos raios X, que revelam os ossos.

Desbravar esse novo território está sendo para a ciência materialista uma grande vitória, pois o cérebro tem sido lento em abrir mão dos seus segredos e os neurocientistas nunca se conformaram por não poder entender as maquinações que ele usava para dar origem aos pensamentos, memórias, sentimentos e percepções, por ser impossível examinar diretamente a natureza desses fenômenos e ela podia ser inferida pela observação de seus efeitos.

O entusiasmo dos investigadores dessa área tem sido muito grande, pois essas máquinas têm explorado esse território desconhecido, da mesma forma como, em tempos passados, as primeiras embarcações oceânicas desbravaram o mundo.

Imbuídos desse vigor e sentindo-se tão poderosos quanto um verdadeiro navegador, os neurocientistas resolveram enfrentar o seu maior desafio – o enigma da consciência. Para eles isso significa decifrar a charada mentecérebroum dos maiores problemas da biologia humanaou seja, como o cérebro, que é visível e palpável, produz a sensação impalpável de sermos alguém. Em outras palavras, eles estão tentando descobrir como o Eu emerge do cérebro.

O número crescente de publicações importantes feitas ultimamente pelos neurocientistas e o seu entusiasmo atraíram profissionais das ciências humanas que acabaram pondo de lado o seu objetivo primordial, isto é, estudar a mente (ou o espírito). Porém, o mais grave ainda é que a maioria deles tem assumido como verdadeira a idéia absurda de também procurar a mente dentro do cérebro, esquecendo-se dessa forma que a mente é imaterial, encontra-se fora do corpo físico e, portanto, nunca poderia ser encontrada no cérebro.

Embora partindo de uma falsa premissaconsiderar o cérebro o gerador da consciência – os resultados obtidos por esses cientistas são interessantes. Vale a pena, assim, transcrever e comentar alguns trechos de um artigo publicado recentemente na revista Scientific American Brasil onde alguns deles são descritos. O artigo intitula-se “Quem sou Eu?” e seu autor é Carl Zimmer – um famoso jornalista americano especializado em ciência.

Os trechos selecionados estão entre aspas e, para sermos mais objetiva e menos prolixa, nossos comentários aparecem em itálico logo abaixo de cada um deles.

A coisa mais óbvia sobre você é seu Eu. Você olha seu corpo e sabe que é seu, diz Todd  Heatherton, psicólogo da Universidade de Darmouth. (...) O Eu pode ser óbvio, mas também um enigma. O próprio Heatherton evitou o estudo direto do tema durante anos, embora viesse explorando autocontrole, auto-estima e outras questões afins desde a pós-graduação. (...) Mas as coisas mudaram. Hoje, Heatherton e um número crescente de outros cientistas estão atacando de frente a questão, tentando descobrir como o Eu emerge do cérebro. Nos últimos anos, eles começaram a identificar certas atividades cerebrais que podem ser essenciais para produzir diferentes aspectos da autoconsciência. O intuito é saber como essas atividades dão origem ao sentimento unificado que todos nós temos de sermos uma entidade individual.”

Essas atividades poderiam ser a conseqüência, os efeitos desse sentimento de sermos uma entidade individual, mas certamente nunca seriam a origem dele.

“No University College de Londres pesquisadores usam tomografias do cérebro para decifrar como nos tornamos conscientes de nosso próprio corpo. (...) Quando nosso cérebro emite um comando para mover determinada parte do corpo, dois sinais são enviados. Um vai para as regiões do cérebro que controlam as partes específicas que precisam se mover e o outro vai para regiões que monitoram os movimentos. Sarah-Jayne Blackemore – uma cientista dessa área – costuma dizer: Gosto de pensar nisto como uma cópia ‘Cc’ de um e-mail; são as mesmas informações mandadas para um lugar diferente. Nosso cérebro usa então essa cópia para prever que tipo de sensação a ação produzirá (...) por exemplo, um comando parafalar’ fará com que ouçamos nossa própria voz. Se a sensação real que recebemos não corresponde exatamente à previsão, nosso cérebro percebe a diferença e essa divergência faz com que ajustemos melhor nossas ações para obter os resultados desejados.

Mas se as sensações são completamente diferentes da previsão, nosso cérebro as interpreta como causadas por algo diferente de nós. Blackemore e colegas documentaram essa mudança fazendo tomografias do cérebro de voluntários hipnotizados. Quando o hipnotizador lhes dizia que seus braços estavam sendo erguidos por uma corda, eles os levantaram. Mas seus cérebros reagiram como se outra pessoa estivesse levantando seus braços.”

O espírito do indivíduo submetido a hipnose perde o comando pleno do seu corpo físico e delega esse poder ao hipnotizador. Eventualmente, espíritos do astral inferior poderão também se apossar do corpo físico do hipnotizado dando origem a obsessões. Daí recomendar-se cautela com a hipnose, cujo uso nos dias atuais na chamada Terapia das vidas Passadas  vem acontecendo, infelizmente, de modo quase abusivo.

É sabido que nem todas as criaturas são hipnotizáveis; isso acontece, muito provavelmente, porque são criaturas possuidoras de um espírito forte que, portanto, não se deixa dominar.

“Uma falta de autoconsciência semelhante pode ser a base de certas doenças mentais. Alguns esquizofrênicos se convencem de que são incapazes de controlar o próprio corpopor exemplo, eles estendem o braço para apanhar um copo, e seu movimento é totalmente normal. Mas eles dizem: ‘Não fui eu. Aquela máquina me controlou e me fez pegar o copo’.

Estudos com esquizofrênicos indicam que previsões erradas de suas próprias ações podem ser a origem dos delírios. Como suas sensações não correspondem às previsões, parece que outra pessoa é a responsável. Previsões erradas podem também criar alucinações auditivas. Incapazes de prever o som de sua voz interna, os esquizofrênicos acham que ela pertence a outra pessoa.”

Quanto mais energia uma célula consome, maior o risco de se danificar com produtos subtóxicos. Os neurocientistas suspeitam que os atarefados neurônios da Rede do Eu são particularmente vulneráveis a esse dano; e, essa vulnerabilidade poderia ajudar os pesquisadores a entender certos distúrbios do cérebro que deterioram o Eu. (...) Resultados de estudos recentes sobre o Eu com uso de imagens cerebrais reforçam as descobertas que têm sido feitas sobre vítimas da doença de Alzheimer (...). Algumas das primeiras regiões a sofrer na doença são o hipocampo e o pré-cuneus (sic), ambas envolvidas em memórias autobiográficas. Elas ajudam a trazer à mente imagens do passado e do futuro e a lidar com elas, observa Seeley. As vítimas da doença de Alzheimer são menos capazes de se movimentar fluidamente para trás e para a frente no tempo.”

Tanto a esquizofrenia como o mal de Alzheimer são considerados demências ou loucuras. A esquizofrenia atinge principalmente adultos jovens e o mal de Alzheimer, a terceira idade. Por isso, a esquizofrenia foi chamada demência precoce e, o mal de Alzheimer, demência senil.

Essas duas patologias, embora se manifestem através de sintomas diferentes, possuem como denominador comum o mesmo pano de fundo – a obsessão, ou seja, a dominação dos pacientes por espíritos do astral inferior.

Na esquizofrenia, cujo início é súbito, predominam os sintomas exuberantes de delírios e alucinações, sintomas esses que tivemos ocasião de analisar em artigo  publicado neste livro ( verEsquizofrenia: o dualismo entre o materialismo e o espiritualismo - pag. 42”). o mal de Alzheimer, com início discreto e evolução lenta e progressiva, é marcado por profunda depressão cuja causa principal é a ação deletéria de espíritos do astral inferior (ver Bibliografia: “O estreito limite entre depressão e obsessão”).

Em ambas as doenças ocorrem também alterações nos níveis de neurotransmissores cerebrais: dopamina e glutamato no caso da esquizofrenia e, acetilcolina, dentre vários outros, no mal de Alzheimer. A diminuição de acetilcolina – o neurotransmissor primário envolvido na memória e no aprendizado – é o evento mais dramático e consistente no mal de Alzheimer, em que uma das características marcantes é a perda da memória do tipo recente. Tanto na esquizofrenia como no mal de Alzheimer, a terapêutica clínica tem sido baseada no uso de drogas que visam a normalizar os níveis desses neurotransmissores.

Tanto a causa da esquizofrenia como a do mal de Alzheimer, no entender da medicina, estão localizadas basicamente no cérebro e os cientistas vêm-se dedicando com afinco ao estudo das anomalias causadas por essas patologias nesse órgão do corpo físico. Esse afinco tem sido tanto que não os deixa perceber que as alterações cerebrais que têm sido descritas são somente o “efeito” e não a “causa” desses distúrbios.

O estudo que tem sido feito da chamadaRede do Eumuito provavelmente será usado como base para as indústrias farmacêuticas lançarem novos medicamentos, da mesma forma como foi feito quando se descobriu o envolvimento de certos neurotransmissores na esquizofrenia e no mal de Alzheimer. Porém, tais medicamentos continuarão sendo sempre sintomáticos e, portanto, não conseguirão atingir as verdadeiras causas dessas duas patologiaspor serem elas de origem espiritual. E, para curar distúrbios espirituais, a metodologia a ser usada é completamente diversa da que tem sido usada por esses cientistas, conforme foi descrito no artigo sobre esquizofrenia que mencionamos acima.

Seeley acredita que o verdadeiro valor da ciência do Eu virá em tratamentos da doença de Alzheimer e outras demências. Diz ele: Quando soubermos quais regiões do cérebro estão envolvidas na auto-representação, acho que poderemos examinar mais de perto as células importantes e, depois, olhar ainda mais profundamente e dizer quais as moléculas dentro das células e quais os genes que as governam levam a essa vulnerabilidade. (...) Se fizermos assim, chegaremos mais perto dos mecanismos das doenças e das curas. Essa é a melhor razão para estudar isso. Não é algo apenas para informar filósofos.”

A cura de distúrbios mentais como a esquizofrenia e o mal de Alzheimer deve abranger obrigatoriamente o corpo físico e o corpo mental (ou espírito). O antagonismo existente entre a ciência materialista e os filósofos está expressa na frase de Seeley quando afirma, de um modo quase depreciativo, que o estudo que vem sendo feito sobre a ciência do Eu não se destina apenas a informar filósofos. No entanto, foi graças aos grandes filósofos que idéias novas revolucionaram o mundo,influenciando inclusive a ciência materialista.

Um dos orientadores astrais da filosofia racionalista cristã na Terra foi o Padre Antônio Vieira. Suas idéias eram cartesianas e seus procedimentos caracterizavam-se pelo racionalismo, pela consideração do problema do método como garantia da obtenção da verdade e pelo dualismo metafísico. Por exemplo, dualismo da alma e do corpo, do bem e do mal, da matéria e do espírito. E, assim nada melhor para encerrar este artigo do que um trecho de um dos seus sermões:
“Os homens não são feitos de uma peça, como os anjos (espíritos de luz) e os brutos (animais irracionais). Os anjos e os brutos são inteiriços; o anjo porque é todo espírito; o bruto porque é todo corpo. O homem não. É feito de duas peças: a alma e o corpo.”

Bibliografia
CARTER, Rita. O Livro de ouro da mente. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. O panorama emergente: p. 14-32.
FARIA, Fernando. A chave da sabedoria. 3. ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1998. A evolução III: p. 164-165.
MATTOS, Luiz de. Pela verdade: a ação do espírito sobre a matéria. 3. ed. Rio de Janeiro: Centro Redentor, 1983. Inteligência a peso: é como a entende a ciência oficial: p. 191-197.
SILVA, Glaci Ribeiro da. Racionalismo Cristão e ciência experimental. Cotia: Íbis, 2004. O estreito limite entre depressão e obsessão: p. 45-51.
ZIMMER, Carl. Quem sou Eu? Scientific American Brasil, dez. 2005, p. 75-81.

A ciência materialista singrando mares nunca dantes navegados

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